SMZC comprovou "asfixia" na Maternidade Bissaya Barreto (MBB)

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2017.12.13

A insuficiência de Recursos Humanos, nomeadamente profissionais médicos, foi um dos problemas que a delegação do Sindicato dos Médicos da Zona Centro pode comprovar na visita que promoveu dia 07 de Novembro 2017 àquela instituição.

Uma situação que leva a uma sobrecarga de trabalho para os profissionais existentes que não são as melhores condições para continuar a prestar o serviço de qualidade que a MBB tem garantido ao longo dos anos.

A ausência de contratação de novos profissionais há mais de 10 anos para a Obstetrícia e há 8 anos para a Neonatalogia, compromete a assistência de saúde às grávidas e bebés, e levou à quebra de um protocolo com os Cuidados Primários, que é um exemplo nacional, com a eliminação da ecografia e consulta do 3.º trimestre.

A falha na gestão dos Recursos Humanos do CHUC a todos os níveis de profissionais de saúde, levou inclusivé ao funcionamento condicionado do 4.º piso da maternidade, e à lotação muitas vezes completa do 3.º piso com as questões de conforto, ruído, diminuição do apoio à amamentação,  risco clínico e infecioso que daí advém, dado a existência de uma unica instalação sanitaria a partilhar por 27 mulheres e bebés e existência de situações de risco acrescido (infeções a VIH, Hepatite B e C...) que dadas as particularidades de um pós parto (perda de lóquios e sangue) constituem um risco grave de transmissão. Outra das consequências deste funcionamento condicionado é a falta de humanização existindo situações de mães que têm filhos internados em cuidados intensivos em situações de risco de vida ou que sofreram a sua perda, ao lado de mães com RN saudáveis.

Após comunicado do SMZC à imprensa a 07 de Novembro o conselho de Administração reuniu na MBB com a directora do Serviço e passado poucos dias deu resposta ao pedido de reunião do SMZC. Durante a reunião, que contou  apenas com a presença do Director Clínico do CHUC e director dos Recursos Humanos, foi abordada esta questão tendo o Director Clinico indicando dificuldades de contratação de médicos e ter sido proposta a 17/10/2017 a abertura de  uma bolsa de recrutamento para Ginecologia/Obstetricia. No entanto, admitiu que as contratações para o CHUC são globais e que as  efectuadas até ao momento foram para o serviço de Ginecologia. Mostrou abertura para fazer o que fosse possivel para sanar o problema da Maternidade Bissaya Barreto, não se comprometendo, no entanto, com uma data provável para para resolução da situação. Foi frisado pelo SMZC que enquanto  o projecto da nova maternidade não passar de uma "miragem" têm de ser garantidas condições de funcionamento para ambas as maternidades que têm movimento assistencial e de partos sobreponível.

Posteriormente a 21 de Novembro, recebeu o SMZC uma carta expondo e confirmando os problemas identificados, assinada pela maioria dos médicos de Obstetricia e Neonatalogia da MBB.

O SMZC compromete-se a fazer todos os esforços no sentido de auxiliar os médicos e a Administração dos CHUC na resolução da situação. Neste sentido, enviamos à ACSS e ao Ministro da Saúde ofício a expor o problema da Maternidade Bissaya Barreto, requerendo a máxima atenção para a resolução desta situação. Os excelentes profissionais médicos da MBB e todas as grávidas e bebés aí atendidos merecem da parte da Tutela que sejam  tomadas medidas urgentes.